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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

...do Rock

E o prémio de Banda mais sub-valorizada de sempre vai, por larguíssima vantagem, para:






sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Anamnese


Ontem dei por mim a cantarolar o "Neighbor", segundo single extraído de "America's Least Wanted", o álbum de 1992 dos Ugly Kid Joe. Fui ouvir o disco e constatei que ainda me lembro de todas as letras, mesmo todas, do princípio ao fim.

Os Ugly Kid Joe foram vítima de si próprios. Assinaram por uma major e construíram um disco à volta de um single, o muito bem conseguido "Everything About You", sucesso maior do verão de '92. A sua música foi rapidamente catalogada como pop-metal, por ser um rock semi-pesado mas orelhudo e, acima de tudo, muito vendável como na prática se veio a demonstrar.

Sedimentado este disco, avançaram para o segundo, "Menace to Sobriety", de 1995, menos comercial e mais puro (a exalar Black Sabbath por todos os poros), que não foi aceite pelo público mainstream, que havia esgotado o stock do anterior, por ser um pouco mais forte e menos easy listening, e não foi aceite pela franja do metal por a banda estar estigmatizada pela imagem pop. Foi uma pena, e basta clicar aqui para perceber porquê...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Os Pintas


Há pouco, enquanto percorria os corredores do meu escritório, reparei na música que vinha de um dos gabinetes. "The Power of Love", de Huey Lewis And The News.
Não há nada mais americano na música do que as marchas do John Sousa, o Robert Palmer e o Huey Lewis.
Há de ficar sempre na memória o rock de fatinho dos anos 80, o Don Johnson, Hall & Oates, o Miami Vice e o Ferrari branco. Esta é a banda sonora.


"They say the heart of rock and roll is still beating
And from what I've seen I believe 'em
Now the old boy may be barely breathing
But the heart of rock and roll is still beating"


Duas guitarras e uma drum machine e está feito. Foi o auge da era pré-Bon Jovi da música americana.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

All Saints


Formadas em 1993, na esteira do mega sucesso das Spice Girls, as All Saints sempre se assumiram, e assim foram conotadas pelo público e pela crítica, como mais sérias e menos show off e, acima de tudo com um som e uma imagem cosmopolita e cool, nos antípodas do ar parolo-suburbano das Spice Girls (das quais só a Mel C., a espaços, se aproveita, v.g. o dueto com Lisa "Left-Eye" Lopez).
Se “I Know Where It’s At” já prometia, foi com “Never Ever” que conquistaram o público. Uma canção cheia, a abrir num sexy spoken word, muito Barry White, para depois entrar num arrebatador crescendo soul, com imensa onda.
Firmes no estrelato, viram o single “Pure Shores” ter um papel maior no filme “The Beach”.
Com muita pena, as meninas vacilaram, não tiveram estrutura para aguentar o crescimento do fenómeno que criaram e as All Saints eclipsaram-se.
Certo é, todavia, que conquistaram um merecido lugar cativo na prateleira que a história da música reserva às Girls Bands, ao lado das Supremes, Ronettes, L7 e TLC. Fazem falta.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Happy Mondays



Um dos mais significativos fenómenos da música pop/rock contemporânea é a geração espontânea de movimentos radicados num mesmo local. Se é certo que no início dos anos 90 assistimos ao boom de Seattle, não menos certo é que meia dúzia de anos antes, com uma dimensão menor mas ainda assim assinalável, o fenómeno "Madchester", uma corrente de fusão entre rock indie e música de dança, trouxe-nos de Manchester bandas como os Stone Roses, os extraordinários e subvalorizados James, os 808 State, os Inspiral Carpets... e os Happy Mondays.

Os Happy Mondays foram o que foram por serem chanfrados, e não foram mais longe por serem chanfrados. Conseguiram a proeza de serem a primeira banda a ter um músico que tocava... nada. Bez, na foto, limitava-se a andar pelo palco a saltar, a achincalhar o público e estar por ali. Shaun Ryder, o vocalista, para além de defender publicamente que era filho de Hitler, resolveu abandonar a meio uma reunião com a direcção da editora "Fact", enquanto renegociava o contrato, exclamando "Kentucky Fried Chicken!" Não se tratava de qualquer acusação encapotada de "capitalismo editorial", mas uma vontade anunciada de mandar um chuto de heroína. Os Happy Mondays acabaram nessa reunião.
Ficaram discos como o fabuloso "Pills'n'Thrills and Bellyaches", de 1990, no qual encontramos, na minha opinião, o seu melhor single, "Kinky Afro" e vieram a nascer, poucos anos mais tarde, os Black Grape, com Ryder e Bez.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Esqueletos no armário.

Não consigo disfarçar o esgar de um sorriso de condescendência quando ouço os Kiss.
Abundantemente temperados em azeite, não deixam de ter o seu lugar na história da música, ao lado de Gary Glitter, Alice Cooper e os New York Dolls, ou até dos Twisted Sister.
São uma das clássicas bandas de glam rock, com um visual muito típico, espalhafatoso, com fogo, faíscas e foguetes, e a teatralidade inerente.
Após uma carreira de quase 30 anos, juntaram-se num MTV Unplugged, em 1996, com os membros originais, Peter Criss e Ace Frehley, que haviam há muito seguido o seu caminho noutro sentido, e pela primeira vez actuaram sem maquiagem (sendo que o Gene Simmons fica ainda mais assustador sem ela...).
Ainda este fim de semana estive a ouvir com alguma atenção o disco que registou esse espectáculo, do qual tenho também o registo em vídeo, e vibrei ao som de plaster caster, domino ou nothin' to lose. Sem vergonha nenhuma.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Ignomínia Musical

Uma das coisas mais inteligentes que ouvi alguém dizer foi que falar mal dos outros não faz de nós melhores. Mas eu estou-me a marimbar. Há coisas de que me dá gozo falar mal. Em muito para isso contribui a indústria discográfica alemã, que nos oferece pérolas como os Scorpions ou o inefável Scooter.
Mas o melhor exemplo da criatividade alemã - onde Falco foi uma lança em África - é um duo formado em Berlim em 1983, que fez um enorme sucesso entre nós com o meloso "You're My Heart, You're My Soul". Falo dos Modern Talking. Para quem se lembra, tínhamos o moreno, que vestia fato branco sobre camisa branca ou fato preto sobre camisa preta e exibia uma longa melena com permanente e um pendente ao pescoço com o nome da namorada em brilhantes, e tínhamos o loiro, ao estilo do "Face" dos Soldados da Fortuna, cabelinho armado e camisinha dentro das calças de cintura no umbigo. Como se não fosse suficiente agressão aquele inenarrável conjunto de azeite, em perfeita sintonia, de imagem e música, conseguiram supreeender tudo e todos e alcançar um nível a que nem o Cliff Richard chegou quando, em 1986, lançam o single "Brother Louie".
É certo que todos passamos aquela fase de negação pública, eu lembro-me de ver o "Knight Rider" e o "MacGyver" às escondidas, porque era uma vergonha dizê-lo em público. E adorava o "Freedom" dos Wham!, mas cá fora só dizia que ouvia o Bryan Adams e o Bruce Springsteen, que era o que estava a dar. Agora, Modern Talking... Consciência tranquila.


quarta-feira, 11 de julho de 2007

Discos mesmo perdidos.

E porque o tema deste espaço não deixa de ser discos perdidos – o que torna um absoluto contrasenso trazer aqui obras como o Köln Concert ou o Sketches of Spain – vou lembrar uma banda, perdida e quase esquecida, que ainda assim deixou muitas marcas, positivas e negativas: os Transvision Vamp.
Formados em Londres em 1986, tornaram-se conhecidos com o single “I Want Your Love”, que integrava o álbum “Pop Art”, de 1988. O airplay concedido ao single, um punk rock ligeirinho, simples e orelhudo, e a imagem de Wendy James fizeram o resto. O follow-up, lançado no ano seguinte e a que chamaram “Velveteen” trouxe-os para uma fugaz ribalta, com o grande sucesso “Baby, I Don’t Care”.

O concerto dos Transvision Vamp no Pavilhão Infante de Sagres foi o maior acontecimento do Porto em 1989 para a minha geração. O Pavilhão completamente esgotado, o público em delírio (sobretudo o masculino) e um concerto cheiinho de força. Todavia, para a crítica, os Transvision Vamp nunca foram mais do que um flop, que apenas (sobre)vivia à custa da Wendy James. Na minha modesta opinião, e não obstante a música em si não mereça rasgados elogios, acho que os críticos nunca devem ter ouvido falar dos Blondie (e da muito bem conseguida relação imagem música, mas isso há de merecer um post “em exclusivo”) ou dos Pretenders (e da raça de Chrissie Hynde). Uma pega com a MCA, a editora, que não gostou do disco que se seguiu ao Velveteen, ditou o fim da banda, em 1991.