sexta-feira, 6 de junho de 2008

Now Playing...


Danilo Perez

"Central Avenue"


GRP - 1998

"This piece captures the essence and synthesis of Perez's creation. The result: Central Avenue is an exciting blend of musical styles that rediscover Perez's musical visions and innate rhythms...including his Latin blues." - Paula Edelstein, AMG

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dúvida do dia...

Mas por que razão é que, seja no cinema, televisão ou música, cada vez que se usa um exemplo de música erudita se fala nas Variações de Goldberg pelo Glenn Gould ou no Kronos Quartet?

E o Stockhausen?
E o John Cage?
E o Stephen Micus?

Qualquer dia ainda levamos com o Michael Nyman...

domingo, 1 de junho de 2008

A fabulosa Deolinda


Tudo começou na semana passada. Enquanto fazia zapping passei pelo inefável programa do Malato, prontinho para continuar a carregar nos botões do comando. Mas hesitei. Estava a ser anunciado um número musical.
"Ora deixa lá ver... O que será?", pensei.
E de repente... fado!
"Ora bolas!" e inclinei-me em direcção à mesinha, para pegar no comando e continuar a passar canais. No entanto, ainda antes de conseguir mudar o canal, começa a Deolinda a tocar o "Movimento Perpétuo Associativo". Curioso, pousei o comando, ouvi, reparei com alguma atenção e não pude deixar de esgar um sorriso de simpatia no fim.

Ontem, enquanto lia o jornal, pela manhã, tomei conhecimento que a Deolinda dava um concerto no Passos Manuel. "Deve ser giro...", pensei. Reuni um grupinho de vítimas dos meus desvarios musicais, e lá fomos.

Ora, o concerto foi absolutamente notável, em todos os aspectos. Desde o ambiente familiar propiciado pela sala, muito aconchegante, até à decoração kitsch do palco, com rendinhas na munição, um velho lustre pousado e um tapete no chão. Entraram com uma simpatia irradiante e arrabataram a plateia aos primeros acordes.


Na música da Deolinda - que assim gosta de ser chamada, não "os", mas "a" Deolinda - não há guitarra portuguesa e não há tristeza, mas há contrabaixo, António Variações e os Fairground Attraction. Há uma alegria imensurável e um prazer no que se faz que não engana ninguém. A Ana não é uma actriz em palco, é a perfeita encarnação da personagem que cada uma das canções tem. A sua pose e apontamentos vocais, sempre no momento certo, são brilhantes.


Já por diversas diversas vezes aqui escrevi que não gosto de fado. Tenho um enorme respeito pelo Mariza e pelo Camané, mas continuo a achar o fado soturno e demasiado limitado por esterótipos que espartilham o seu desenvolvimento. As tentativas que foram feitas, em tempos, de modernizar o fado penderam todas para o intelectual, como a Mísia, por exemplo, e foram um flop.

Agora, a Deolinda fez mais num disco por aproximar o fado de cépticos como eu do que todos os fadistas quese seguiram ao Marceneiro e à Amália.


De resto, o extraordinário trabalho da Deolinda só vem confirmar uma teoria minha, que também já aqui deixei: a verdadeira música tradicional portuguesa não é o fado, são os viras, os corridinhos e os folclores de aldeia. O fado é uma importação do norte de África, uma música magrebina adaptada e adoptada por Lisboa. O que faz a Deolinda é afastar os elementos "amouriscados" do fado e substituí-los pela alegria de António Variações e, em momentos, o festival vaudeville de Waits ou Kusturica.


No dia em que Paulo Gonzo tocou no Rock in Rio, Obrigado, Deolinda, pela lufada de ar fresco.


quinta-feira, 29 de maio de 2008

Songs of freedom

"Old pirates, yes, they rob I;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottomless pit.
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty.
We forward in this generation
Triumphantly."
Bob Marley & The Wailers
"Redemption Song"

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Re-descobertas




Prince & The New Power Generation
Diamonds & Pearls
Warner - 1991



"Diamonds and Pearls" não é um dos discos mais significativos do pequeno génio de Minneapolis. Quanto mais não seja porque foi ensombrado por aquele que lhe sucedeu, o disco em que Prince cantava "My Name Is Prince" mas assinava com um símbolo que não consta do meu teclado. Todavia, "Diamonds and Pearls" não deixa de ser importante. Em primeiro lugar, porque assinala a mudança da banda de apoio, da "Revolution" para a "New Power Generation", com um som francamente mais jazzy que a sua antecessora, mais negra. Em segundo lugar, porque do seu alinhamento consta "Get Off", um dos momentos altos de Prince, e outras grandes canções como "Cream", "Money Don't Matter 2 Night" ou aquela que dá título ao álbum.
Quando o disco saíu, em 1991, vivia eu o auge da minha adolescência, logo arranjei uma cassete pirata, que rodou até partir a fita magnética. Sabia as letras de cor mas não tinha noção da riqueza da música de Prince. Vale a pena ouvir outra e outra vez, porque sempre se descobrem coisas novas.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Zakk Wylde - Way beyond empty

Pura estética sonora

Em 1997, na sua casa de campo em New Jersey, enquanto recuperava do esgotamento que o afastou vários anos dos palcos, Keith Jarrett sentou-se ao piano, no seu pequeno estúdio, e tocou para a mulher (e teve a brilhante ideia de gravar) uma série de standards, simples, limpinhos de virtuosismos ou floreados.
É certo que nunca houve um pianista tão multifacetado como Jarrett, que, além da sua genialidade própria e única, reúne as melhores qualidades de antecessores como Thelonious Monk ou Vladimir Horowitz. É certo também que o que é mais característico em Keith Jarrett é o seu virtusismo e brilhante sentido de improviso, seja sobre uma pauta em branco, seja sobre o que quer que seja. Mas uma vida inteira de concertos quase diários deixou-o fisicamente esgotado e condenou-o ao síndrome de fadiga crónica que o afastou da ribalta.
A belíssima serenata que dedicou à sua mulher foi o primeiro passo da sua recuperação. Como primeiro passo, e vindo da fase em que vinha, Jarrett optou pela simplicidade. Mas até o mais simples, tocado por Jarrett, é sublime.


Keith Jarrett

"The Melody at Night, with you"

ECM - 1999

terça-feira, 20 de maio de 2008

De volta...

Quem me conhece sabe que eu sou um incontinente verbal. Quem não conhece e foi lendo o que para aqui deixei escrito… também deve ter reparado nisso.


Gosto de falar sobre música e, acima de tudo, partilhar a música e as opiniões sobre ela. Adoro sentir o feedback que aqui fui acicatando, seja o positivo, seja o negativo (mesmo o leitor furioso com a crítica ao novo disco dos Eagles e aquele ofendidíssimo com a comparação entre os Anjos e o Paulo Gonzo…).


Foram só três meses em que me contive, em que dediquei o meu teclado a outras andanças. Mas apetece-me voltar. Seja para dar as más notícias, como o facto de, mais uma vez, ir perder o concerto dos Iron Maiden, ou o facto de, mais uma vez, se realizar o Festival Eurovisão da Canção, sejam as boas notícias, como a discografia completa dos Doors a 5 Eur no Media Markt ou a descoberta da voz celestial de Richard Bona.


Obrigado por andarem por aí.

Vinyl.

E se, de repente e sem que ninguém esperasse...

Houvesse um retorno...

...Liv(f)e After Death



"That is not dead which can eternal lie

and with strange aeons even death may die."

in The Nameless City

H.P. Lovecraft

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Epitáfio

Os Discos Perdidos
18.6.2007 - 11.2.2008



"When the music's over
Turn out the lights
Well the music is your special friend
Dance on fire as it intends
Music is your only friend
Until the end"
"When The Music's Over"
The Doors
Strange Days
1967

Obrigado a todos os que por aqui passaram.

Aqueles 10

Para encerrar Os Discos Perdidos, ficam aqui os discos de Vinyl, os 10 mais especiais,
(não forçosamente por esta ordem):


Miles Davis - Kind of Blue
AC/DC - Back in Black
Keith Jarrett - Köln Concert
Nusrat Fateh Ali Khan - Shahbaaz
Nirvana - Nevermind
John Coltrane - A Love Supreme
Black Sabbath - Black Sabbath
Deep Purple - Made in Japan
Stan Getz - Soul Eyes
Jeff Buckley - Grace

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Mood: Downtempo


Jay-Jay Johanson
Poison
BMG - 2000

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

After Forever

"Have you ever thought about your soul - can it be saved?
Or perhaps you thought that when you are dead you just stay in your grave?
(...)
When you think about death do you lose your breath or do you keep your cool? (...)"

"After Forever"
Black Sabbath
Master of Reality
1971

Do banho...

Parece um lugar comum dizê-lo, mas todos os dias, quando chego a casa, não é a televisão que eu ligo. Deixo a sala à meia-luz, escolho um vinil ou um cd, sento-me no lugar do meio do sofá e deixo-me levar pela música eleita antes de pensar no jantar. Um destes dias experimentei uma variação. Enchi a banheira de água bem quente e deitei-me nela ao som dessa obra maior aí em baixo. Melancólico, escuro, pesado ma non troppo e imprevisível (para mim já não muito, porque o conheço de uma ponta à outra…), bem pautado pelas variações de velocidade típicas dos Sabbath, sempre em crescendo. Confirmou ser, além de uma obra-prima, uma óptima companhia para um banho de 40 min., longe de tudo.


Black Sabbath
Black Sabbath
Warner - 1970

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Disco do dia...

Mas por que raio é que havia o Vinyl de se lembrar de escolher como disco do dia este:


"Dirty Dancing"
Banda Sonora Original
RCA - 1987

A resposta é simples... porque a pimpineira do "(I've Had) The Time Of My Life" e outros quejandos que por lá andam é amplamente compensada por:
"Be My Baby" - Ronettes
"Stay" - Maurice Williams & the Zodiacs
"Hey! Baby" - Bruce Channel
"Love is Strange" - Mickey & Sylvia

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Bom fim-de-semana!!!

Primal Scream - Rocks

Ornatos Violeta - Capitão Romance

Porque houve quem se queixasse da falta de música portuguesa por aqui, e porque os Ornatos foram (infelizmente foram...) geniais...

Disco do dia...

Marvin Gaye

"What's Going On"

Motown - 1971